Provedor da Beneficência Hospitalar Cesário Lange (BHCL) desde 2011, Roberto Gonella Junior faz questão de comemorar o momento positivo da Organização Social de Saúde (OSS). Ao destacar a satisfação dos parceiros contratantes, ele ressalta que o objetivo é manter o crescimento sustentável da entidade. Confira os principais trechos da entrevista:
Jornal BHCL: Qual é a história da Beneficência Hospitalar Cesário Lange?
Roberto Gonella Junior: Nossa origem é ligada ao Hospital de Cesário Lange, que existe desde 1977, quando ocorreu a fundação, e que iniciou as atividades assistenciais em 1982. Então, já são 40 anos atendendo a população.
Jornal BHCL: Quando a entidade se transformou em Organização Social de Saúde?
Gonella: O ingresso no mercado de trabalho de organizações sociais é mais recente, ocorreu em 2019. De lá para cá, já temos mais de 25 projetos em andamento, sendo a maioria no Estado de São Paulo.
Jornal BHCL: Portanto, um crescimento muito rápido …
Gonella: Muito rápido, o que nos forçou a criar uma estrutura administrativa robusta na parte contábil, na parte de recursos humanos, na parte de projetos, tudo isso necessário para que possamos continuar desenvolvendo um crescimento sustentável. Por conta dessa estrutura estabelecida ao longo desses três anos, buscamos parceiros que tenham interesse em melhorar a qualidade do sistema único de saúde, que tenham interesse em fazer essa parceria com a gente, e a gente trabalhar da maneira mais séria e efetiva possível. Isso traz resultados para nós, para o parceiro e, em última análise, para a população atendida.
Jornal BHCL: E quantos empregos são gerados nesses mais de 25 contratos?
Gonella: Nós temos cerca de 2.500 colaboradores celetistas, mas também temos muitos prestadores de serviços de natureza ‘pessoa jurídica’, principalmente profissionais médicos. Portanto, nós temos, seguramente, acima de 3 mil colaboradores nesses projetos atuais.
Jornal BHCL: Quais são os diferenciais da BHCL no mercado?
Gonella: O diferencial é o seguinte: aqui não é uma OSS que aconteceu para ser uma OSS. É um hospital que se transformou em uma OSS. Nós somos um hospital inserido na saúde pública do município, da região. Por conta disso, temos o Cebas Saúde [Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social na área de Saúde], ou seja, um certificado de filantropia que garante economicidade nos projetos, principalmente para os parceiros contratantes. Portanto, não somos uma OSS de mercado, somos um hospital de um município pequeno que, em 2018, resolveu, por decisão do Conselho de Administração, se transformar em OSS. Alteramos o estatuto para eficácia nesse formato, exigido por lei, e passamos a atuar no mercado da forma que acontece hoje.
Jornal BHCL: O sistema SUS sobreviveria sem as OSSs?
Gonella: As OSSs sendo bem administradas, como diz a Lei 9637/1998, são instrumentos de eficiência para o SUS. A gente sabe que, no meio do caminho, muitas OSSs foram usadas indevidamente para outras finalidades que não o interesse mútuo. Mas uma vez que a OSS seja utilizada conforme preconiza a Lei 9637, ela é um instrumento muito importante para garantir assistência e qualidade no SUS.
Jornal BHCL: Qual recado o senhor deixa aos colaboradores da Cesário Lange e à população?
Gonella: Eu gostaria de agradecer a todos os colaboradores que fazem parte da BHCL, apesar de que ainda não tive a oportunidade de conhecer a imensa maioria. Conheço um percentual razoável, e na medida do possível, vou conhecer. Com relação aos usuários do SUS, a gente entende a dinâmica, sabe que tem que oferecer a melhor qualidade possível, é isso o que buscamos. Nos submetemos a todas as normas de controle de Conselho de Saúde, órgãos controladores dos municípios, comissões de fiscalização, e não para simplesmente cumprir um papel burocrático, mas para que, junto a esses órgãos, possamos buscar uma qualidade cada vez melhor.